sábado, 14 de janeiro de 2012

Quanto tempo...

Gosto de Sal

Quando acordei vi uma mistura de noite e dia.
Não sei se era o anoitecer ou o nascer do sol...
Ainda não sei.

Estou deitada na areia de uma ilha que não sei qual é.
Como vim parar aqui?
Confesso que não sei.

Devo ter entrado em um barquinho que naufragou.
Deve ter sido aquele barquinho pequeno e feinho,
velho e desinteressante,
que eu acreditei ser o único em que eu poderia navegar.
E talvez eu ainda acredite...

Não há ninguém nem nada aqui.
Me sinto só e em paz.
Atordoada também...
Com as vozes que eu não queria ouvir,
e que insistem em voltar à memória.

Acho que será melhor não tentar partir.
Pedir socorro?
Acho que não. Já pedi de mais.
E o que poderia me resgatar?
Mais um velho barco?

Só saio se for numa grande embarcação,
que me leve a todos os cantos do mundo,
que seja novinha em folha,
com cheirinho de juventude!

Que me leve para algum lugar do passado que eu não vivi.
Que me leve para o ponto onde eu me perdi de mim,
e passei a tentar aprender a me conformar.

Juliana Santos
14.01.2012