terça-feira, 31 de maio de 2011

A memória "desguardada" ...

 Acho que tinha 16 anos. 
 E eu tinha um namorado. Na verdade, não era bem um namoro, era um amor meio louco. Um dia, ele me fez um elogio que mudou a minha vida...
 Foi a primeira vez em que cortei a franja de ladinho. Antes, traumatizada com os "toldos" da infância, corria de franjas como o Diabo foge da Cruz! Quando cortei a franja, não estávamos juntos. Nos víamos. Não nos falávamos. E a franja foi crescendo.
 Até que, num dos nossos reencontros, ele disse:
 _ Você deveria usar sempre a franja de ladinho. Ficou linda!

 No mesmo dia a franja estava devidamente cortada. E de ladinho!
 Desde então, não vivo sem franja. De todos as formas, para todos os lados.
 É que, quando ele me disse aquilo, eu passei a acreditar... em tanta coisa.
 Aprendi que podia ser amada. Aprendi o valor das palavras.
 Mas só hoje tenho esse entendimento.
 Só hoje tenho vontade de saber o quanto de nós vive em alguém... O quanto estamos presentes no presente de alguém do passado... Quais das nossas palavras e frases puseram a nossa letra única na história que está sendo escrita por uma pessoa.
 Só hoje me preocupo com o que posso quebrar ou construir. Pois, em cada expressão, cada gesto, cada escolha minha, vive tanta coisa que não morreu...

 ...Assim como essa canção...